Tabata Rafaela
« Voltar para o blog

Plano de transição é coisa de quem tem tempo. E nós não temos.

9 de setembro de 2026

Plano de transição é coisa de quem tem tempo. E nós não temos.

Eu sou profissional de marketing, me formei em 2021 e desde sempre lido com o fato de que tudo está mudando, reflexo do mundo que vivemos. Mas a sensação é que essa premissa sempre veio acompanhada de uma percepção de que ainda tínhamos tempo.

Tempo para nos adaptar, para nos planejar, para aprender e construir.

E, não de repente, mas parecendo que foi, temos o GPT-6 Astra.

Desculpa. Não quero parecer sensacionalista, até porque odeio o alarmismo.

Mas nós, do marketing, precisamos mudar o modus operandi, galera. Para ontem.

Na verdade, precisamos ir mais fundo.

Precisamos mudar a forma de pensar e dar sentido ao que fazemos.

Desde que começamos nossa vida profissional já vivemos inúmeras revoluções. Você, talvez mais ou menos que eu, a depender da sua idade.

Ainda nem respondemos as dúvidas e incertezas que tínhamos ontem, e hoje novas já surgiram. É nessa parte aqui que seria ótimo ter alguém nos falando o que fazer, né?

Aliás, até tem. Mas entre o falar e o fazer… o abismo é grande.

Então, de onde partimos?

Primeiro, acredito que é importante colocar as nossas dúvidas no bolso. Não há muito tempo para nutrir incertezas. Precisamos agir apesar da existência delas. Enquanto elas nos paralisam um novo modelo de IA já transformou ao menos uma das nossas funções.

E se a gente tá falando aqui de tempo, então parte dessa revolução necessária passa também pela forma como o encaramos.

Tudo começa nas palavras

Esses dias, eu estive com uma amiga-cliente e ela me contou que conheceu uma fonoaudióloga incrível, e que essa profissional mostrou que a fonoaudiologia vai além da fala: passa também pela forma como nós nos percebemos. Para mim, sempre existiu uma relação meio que óbvia entre palavras, a forma como nos enxergamos, como agimos e os resultados que temos.

Pappo de doido, né? O que as palavras têm a ver com todas as mudanças do mundo?

Acontece, meus amigos, que a palavra precede a ação.

O problema com “plano de transição”

Enquanto falávamos sobre as mudanças possíveis em nossos serviços, meu sócio soltou que “precisávamos pensar em um plano de transição”. Eu fiquei surpresa, não pela frase, ela já é uma velha conhecida. Mas porque eu senti que ela, nesses tempos, está errada.

Um plano de transição já implica que temos semanas, meses a fio, para pensar, planejar, colocar no papel, coordenar, executar…

A palavra transição já não funciona mais com o imediatismo do mundo.

As mudanças são bruscas, as coisas mudam da água para o vinho, e ficar preso na ideia de que podemos nos dar ao luxo de um período de transição significa já ficar para trás.

Precisamos não temer a ação, a mudança de rota, a reinvenção escancarada.

Precisamos, todos nós, profissionais de marketing, nos assumir metamorfoses ambulantes.

Às vezes, cheios de convicções.

Às vezes, com mais dúvida do que certezas.

Mas sabendo que é só mudando rápido que conseguiremos nos manter relevantes.